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Jul 09
Por PFnews, às 10:34 | comentar

A melhor forma de definir Recital e Tal é pela negativa: não é uma peça de teatro, apesar de, no palco, três actores interpretarem textos; não é um recital ou uma declamação pública de poemas, apesar de se ouvirem as palavras de Mário-Henrique Leiria, Mário Cesariny, Alexandre O’Neill e Adília Lopes, entre muitos outros; não é um espectáculo de variedades, apesar de uma quantidade de pessoas falar a partir do que escreveu uma outra quantidade de pessoas para uma nova quantidade de pessoas ouvir.

No fundo, Recital e Tal tem tudo a ver com «palavras, palavras, palavras». São elas que contaminam os actores e os fazem dizer coisas como  «Gosto muito de palavrões. (...) Mas, como sou moralista, tenho uma teoria (...): quando se usam palavrões sem ser com o sentido concreto que têm, é como se estivéssemos a desinfectá-los (...).» (Miguel Esteves Cardoso) ou «O que me vale aos fins de semana / é o teu amor provinciano e bom / para ele compro bombons / para ele compro bananas (...).» (Manuel António Pina).

Estas palavras fazem-nos rir, mas também ranger os dentes; foram extraídas de uma antologia do humor português (organizada, em 2008, por Nuno Artur Silva e Inês Fonseca Santos) e sobem ao palco com Miguel Guilherme, Rita Blanco e Diogo Dória. E também com esse «Tal», qualquer coisa que é acrescentada e na qual tudo se mistura para se transformar num espectáculo que só mesmo em cena se irá perceber o que é. 

RECITAL E TAL faz parte do FESTIVAL AO LARGO, que tem lugar no Largo de São Carlos, de 26 de Junho a 19 de Julho, todos os dias a partir das 22h. A entrada é livre.

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